08 Março 2019
Viúva de Marielle pede cautela na ligação da família Bolsonaro com a morte da vereadora

Viúva de Marielle pede cautela na ligação da família Bolsonaro com a morte da vereadora

Do Blog do Jamildo - Viúva da ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, Mônica Benício disse, em entrevista à Rádio Jornal nesta sexta-feira (8), que é preciso “muita cautela” ao avaliar a ligação de um miliciano ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e a morte da ex-parlamentar do PSOL, assassinada no dia 14 de março do ano passado. Para a Mônica, o que se tem de fato é a homenagem de Flávio Bolsonaro, à época deputado estadual, ao integrante da milícia. Ela ressalta, contudo, que isso não, necessariamente, faz com que a família Bolsonaro esteja associada diretamente à execução de Marielle.

“Eu acho que a gente tem que ter muita cautela nessas avaliações. O meu compromisso é que a investigação seja feita da melhor forma possível e que nos apresentem o resultado correto. E não qualquer resultado. Flávio Bolsonaro homenageou um miliciano, isso é o que a gente tem de fato. E que pode estar relacionado à execução de Marielle, mas não, necessariamente, a família Bolsonaro esteja ligada diretamente à execução. Isso a gente vai precisar esperar que o inquérito nos apresente quem são os verdadeiros responsáveis”, disse Mônica Benício.

Mônica voltou a dizer que mais importante do que quem matou Marielle é quem mandou mandou executar a ex-vereadora. Para a viúva de Marielle, o País precisa dar uma resposta à comunidade internacional.

“Mais importante, inclusive, até de quem foi que puxou o gatilho, é quem foi que mandou fazer. O Brasil precisa dar a resposta de quem mandou matar Marielle porque o atentado contra Marielle é um atentado contra a nossa democracia. Foi uma alta violação aos direitos humanos. Então, a gente precisa que o Brasil responda isso para que a gente diga para o mundo que a gente respeita as vidas negras, as vidas das mulheres, as vidas LGBTs. Tudo que a Marielle representava”, disse.

“Porque enquanto a gente não chega essa resposta, o que a gente passa de imagem para o mundo é que aqui a gente pode matar defensores dos direitos humanos, que  aqui a gente descarta vida negra, LGBT, de mulher. A minha luta é que, justamente, para essa imagem não seja passada para o mundo e para que a gente pare de ter nossas vidas sendo dizimadas da forma que são por um governo que não se importa com sua população”, completou.

Mônica também comentou sobre a renúncia do ex-deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) e o seu “exílio” na Europa após relatar ameaças de morte.

“É óbvio que é muito difícil a gente olhar a conjuntura política atual do País e ver que um parlamentar democraticamente eleito precisa se exilar para garantir a própria vida, entendendo que depois de uma década de ameaças, ele toma essa difícil decisão, avaliando, inclusive, o que está envolvido na noite de 14 de março”, afirmou.