30 Abril 2019
Tudo o que pesa contra o ex-presidente Michel Temer

Tudo o que pesa contra o ex-presidente Michel Temer

Da Veja - No último dia 21 de março, o ex-presidente da República Michel Temer (MDB) foi preso durante uma investigação da Operação Lava Jato relacionado às obras da usina de Angra 3, realizadas pela Eletronuclear. O ex-presidente foi solto menos de uma semana depois, mas ainda enfrenta uma longa lista de problemas com a Justiça: é alvo de mais nove inquéritos, em diferentes estágios e que tramitam em diversas seções do país.

Ao todo, já são seis denúncias apresentadas, incluindo as três apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) entre 2017 e 2018, quando Temer ainda era presidente. Em três processos, as acusações foram recebidas e ele se tornou réu, por decisão dos juízes federais Marcelo Bretas e Rodrigo Parente Paiva, do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, respectivamente.

RÉU – Mala de 500.000 reais – Justiça Federal de Brasília
Dias após reunião entre Michel Temer e o empresário Joesley Batista no Palácio do Jaburu, um ex-assessor do presidente, Rodrigo Rocha Loures, recebeu 500.000 reais da JBS. A cena de Loures carregando a mala de dinheiro foi filmada pela Polícia Federal. Temer e Loures foram denunciados pela PGR por corrupção passiva. Em 28 de março, o juiz Rodrigo Parente Paiva recebeu a acusação e eles se tornaram réus.

RÉU – Inquérito dos Portos – Justiça Federal de Brasília
Em 2018, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou Michel Temer como integrante de suposto esquema para favorecer empresas por meio de um decreto que assinou em maio de 2017 sobre o setor portuário. A acusação é de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

RÉU – Angra 3 – Justiça Federal do Rio de Janeiro
Primeira de duas denúncias formuladas pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Investigadores sustentam que o emedebista recebeu 14,5 milhões de reais em propina de um contrato da Eletronuclear com um consórcio formado pelas empresas Engevix, Argeplan e AF Consult. O caso tem origem na delação premiada do dono da Engevix, José Antunes Sobrinho.

O repasse teria ocorrido por meio de um contrato fictício da Construbase Engenharia com a PDA, empresa do Coronel Lima, suposto operador do ex-presidente. Temer virou réu em 2 de abril, por decisão do juiz Marcelo Bretas.

RÉU – Angra 3/Alumi – Justiça Federal do Rio de Janeiro
Segunda de duas denúncias formuladas pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. O caso também relação com a obra em Angra 3 e as relações entre a estatal Eletronuclear e a empreiteira Engevix, delatada pelo empresário José Antunes Sobrinho.

De acordo com a acusação, foi repassado 1,1 milhão de reais pela Alumi Publicidades para a PDA, do Coronel Lima, que elaborou um estudo técnico fraudulento para a implantação de painéis publicitários no Aeroporto de Brasília. Temer virou réu em 2 de abril, por decisão do juiz Marcelo Bretas.

RÉU – Maristela Temer – Justiça Federal em São Paulo
A Operação Lava Jato em São Paulo denunciou o ex-presidente por lavagem de dinheiro, acusando-o de utilizar recursos obtidos de forma ilícita para a reforma da casa da sua filha Maristela Temer na capital paulista.

DENUNCIADO – ‘Quadrilhão do MDB’ – Justiça Federal em Brasília
Em 2017, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou Michel Temer e outras lideranças nacionais do MDB por organização criminosa e obstrução à Justiça sob a suspeita de que estas formaram uma espécie de “quadrilha” para promover desvios de dinheiro público, na Petrobras e em outras estatais, e atrapalhar as respectivas investigações.