18 Novembro 2019
Não contem para o Lula. Por Fernando Cabbrini

Não contem para o Lula. Por Fernando Cabbrini

Ao final da Segunda Guerra, os generais de Hitler, certos da derrota inevitável, poupavam o combalido ego do “führer” de novos dissabores. Temerosos, peneiravam as más notícias que chegavam ao bunker, deixando o ditador convenientemente iludido.

Na comédia “Adeus, Lênin”, uma velha senhora comunista entra em coma e não presencia a derrubada do Muro de Berlim. Ao despertar, tempos depois, a capital alemã já era outra. Com dó da mãe, seu filho esconde dela os últimos acontecimentos, fazendo-a crer que Berlim Oriental continuava como sempre: atrasada, feia e comunista.

Os discursos do ex-presidente assim que ele saiu da cadeia fizeram-me lembrar ambas as histórias. 

Preso por mais de um ano, paparicado e endeusado pela militância, Luiz Inácio colecionou elementos para criar uma avaliação equivocada de si mesmo, de sua influência, de seu carisma e - o mais grave - do Brasil que seguiu em frente.

Prisão não é fácil mesmo, embora a dele fosse cheia de regalias. 

Certamente, todos que o visitavam enfeitavam as grades com elogios, esperanças, exortações à “resistência”, recados carinhosos - tudo perfeitamente compreensível, até por questões humanitárias. 

O problema é que, ao saírem, tais visitantes deixavam o ex-presidente em uma companhia desonesta: a imagem congelada de um passado recente. 

Atordoados pelos resultados das urnas de 2016 e 2018, sobrou para os derrotados, no sonho de um retorno ao poder, manter um retrato negativo do país com fins eleitoreiros. 

No entanto, esqueceram-se de que os responsáveis por tal desastre eram eles mesmos. Assim, a esquerda continuará ofegante, soprando as brasas indispensáveis ao calor costumeiro de seus discursos. 

Pergunta: quem ainda se inflamará com isso, além dos de sempre? Pouco a pouco, novos ventos arejam a vida do brasileiro. Surgem boas notícias; a maioria quase sempre ignorada pela grande imprensa. 

Jornalista que não sou - mas apenas um cidadão que gosta de escrever -, listei alguns indicadores interessantes. A Caixa Econômica vai fechar o ano de 2019 com um lucro maior que o dos bancos Bradesco e Itaú. 

As alíquotas de importação de 498 bens de capital e 34 bens de informática e telecomunicações foram zeradas. A taxa de crédito imobiliário se aproxima do nível menor da história. 

A construção civil captou R$ 4,4 bilhões na Bolsa e prepara uma expansão marcante. Bilhões de dólares do exterior virão para revolucionar nossa infraestrutura ferroviária. A Embraer saiu do prejuízo e lucrou R$ 26 milhões no segundo trimestre; a receita líquida cresceu 19%. 

Um site especializado mostra que o Brasil registrou uma queda de 22% nas mortes violentas no primeiro semestre do ano - e continua baixando. O INSS passou um pente-fino em benefícios suspeitos; cancelou 254 mil deles e poupou R$ 4,37 bilhões na brincadeira.

Fábricas de caminhões e implementos agrícolas agora só aceitam encomendas para entrega em 2021. Vem aí uma produção recorde de grãos - previstos 245,8 milhões de toneladas, 3,9 milhões a mais em relação à safra anterior.

Estamos brilhando na produção de café, ovos e leite, este último com destaque para Minas Gerais. Novos mercados internacionais se abrem. Movimentos como o MST - aqueles que estripavam vacas prenhes por motivos ideológicos - sumiram.

O Banco do Brasil anuncia lucro líquido de R$ 4,543 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 33,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O famigerado risco país atingiu o menor nível desde 2013. Taxa Selic nos 5%. 

Inflação controlada. Em consequência, o desemprego começa a cair; devagar, mas vai. Que bom, hein? Então, não contem nada disso pro Lula. É sacanagem.

Fernando Fabbrini Escreve no caderno Magazine, de O Tempo