23 Maio 2018
Greve provoca falta de peças, combustíveis e alimentos em MG

Greve provoca falta de peças, combustíveis e alimentos em MG

A paralisação dos caminhoneiros, que começou há três dias com 16 interdições nas rodovias de Minas Gerais, nesta terça-feira (22) já alcançava 38 pontos pelo Estado afora. A fatura dessa greve começou a chegar e trouxe junto o medo do desabastecimento. Seja por não conseguir transportar mercadorias ou receber insumos, algumas indústrias estão freando o ritmo de produção, e outras já contabilizam prejuízos.

A Fiat, em Betim, começou a sentir os efeitos com atraso na chegada de peças. Outros setores, como supermercados e postos de combustíveis, ainda não registraram falta de produtos. Mas uma grande manifestação programada para a manhã de hoje na porta da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, promete agravar a situação.

A intenção é parar o abastecimento de combustíveis. A decisão, segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Minas Gerais (Sindtac-MG), Antônio Vander Reis, foi tomada durante reunião na terça à noite. “Com apoio do sindicato dos metalúrgicos, decidimos não acabar com os bloqueios nas BRs, mas realizar essa paralisação na porta da refinaria da Petrobras. O objetivo é não deixar ninguém entrar nem sair carregado”, explica. Por meio de nota, o sindicato dos postos, Minaspetro, afirma que, se a paralisação persistir, o desabastecimento de combustíveis será inevitável, uma vez que, após o fim dos estoques, os estabelecimentos não terão condições de reposição.

Mais Impactos. Em todo o Brasil, 23 Estados aderiram ao movimento. Cinco plantas ligadas à avicultura e à suinocultura em Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul tiveram de suspender operações. O cenário vai piorar hoje, com a manutenção da greve, diz a Associação Brasileira de Proteína Animal. Ao menos 20 unidades não terão como operar, afetando o abastecimento no país e as exportações.

Além da Fiat, outras montadoras foram afetadas. Por falta de peças, as fábricas da General Motors (GM) em Gravataí (RS) e São Caetano do Sul (SP) pararam a produção. O mesmo aconteceu com as fábricas da Ford em Camaçari (BA) e Taubaté (SP). A Volkswagen também deve parar hoje. Por enquanto, a Fiat não suspendeu nenhuma linha de produção, mas afirmou que vai monitorar de perto a situação.

Em Minas, onde há o maior número de estradas bloqueadas, quem está com o carro na oficina também corre o risco de esperar mais. “Atualmente, a cada dez veículos em reparo, pelo menos dois dependem de alguma peça que vem de fora. Se a greve persistir, o conserto vai demorar mais”, afirma o presidente do Sindicato de Peças Automotivas (Sincopeças), Helton Andrade.

O setor da construção também está apreensivo. “A parte de acabamentos normalmente, vem de fora, como janelas de alumínio e portas prontas, que vêm de Santa Catarina e do Sul de Minas. Isso pode acabar atrasando as obras”, observa o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Geraldo Linhares. (Com agências)

Frango, laticínios e ovos podem ‘sumir’

Cerca de 2.000 funcionários do ramo de avicultura em Minas Gerais foram mandados para casa mais cedo ou nem sequer chegaram a trabalhar desde o primeiro dia de paralisação dos caminhoneiros. Os impactos da greve no setor já são considerados caóticos e irreversíveis. “Não chega ração para alimentar os animais. Se as galinhas morrem nas granjas, não teremos mais ovos nem pintinhos ou frangos. Com a mortandade de animais, teremos um problema sanitário. Sem contar os ovos, que não têm escoamento”, explica Cláudio Almeida, membro dos conselhos de administração da Associação de Avicultores de Minas Gerais (Avimig) e do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado de Minas Gerais (Sinpamig). “Se a greve continuar, com certeza haverá desabastecimento nos supermercados”, diz.

O setor de leite e derivados também já sente as perdas. “Cerca de 16 milhões de litros de leite são diariamente direcionados à industrialização. Todos os dias, as vacas são ordenhadas. Com a paralisação, perdemos o leite parado nas estradas, os produtores perdem porque os caminhões não chegam às propriedades rurais para carregar, e, sem matéria-prima, as indústrias ficam ociosas”, afirma o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), Celso Moreira.

Segundo a Associação Mineira de Supermercados (Amis), até esta terça-feira o abastecimento estava normal, mas tudo dependerá do andamento da greve a partir de hoje.

Mais reflexos

Correios. Devido à greve dos caminhoneiros, estão temporariamente suspensas as postagens das encomendas com dia e hora marcados (Sedex 10, 12 e Hoje). Por segurança, também será ampliado o prazo do Sedex e do PAC, bem como das demais correspondências.

Carne. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) diz que pode faltar produto na mesa do consumidor. Segundo a entidade, animais poderão morrer no campo com a falta de insumos. A ABPA teme ainda perder contratos de exportação e prevê aumentos de custos.

Voos cancelados. Três voos com destino a Brasília foram cancelados. A administradora do terminal explicou que os passageiros ficaram nas cidades de origem – uma delas, Belo Horizonte –, pois a escassez de combustíveis impediria o retorno da tripulação.