13 Abril 2018
Era só o que faltava! Reinaldo Azevedo presidente pelo PT

Era só o que faltava! Reinaldo Azevedo presidente pelo PT

Eu mesmo pretendia fazer o anúncio, mas vejo que terei de me readaptar à vida partidária. Como deixei o PT em 1982 e, depois, não me filiei mais a partido nenhum, andava esquecido de como são as coisas. Alguém da cúpula vazou a informação para “The Piauí Herald”, e agora a informação está no mundo: Lula decidiu lançar meu nome como candidato à Presidência da República. Mesmo encarcerado em Curitiba, o companheiro mantém a voz de comando.

Sim, ainda terei de narrar os bastidores dessa decisão, que não foi unânime. A ala direita do partido, por exemplo, tentou sabotar meu nome. Acusa-me de “desvio trotskista”, certamente influenciada pelo, digamos assim, “pensamento bolsonarista”. Não que isso seja inteiramente falso. Continuo, como sabem os melhores intérpretes do meu pensamento — as pessoas que me detestam —, fiel ao homem que demonstrou, como nenhum outro, que a nossa moral, que nos permite eliminar os adversários, é distinta da moral deles, que nos protege de sua fúria. Isso, em particular, não deriva da hermenêutica bolsonarista porque eles seriam incapazes de entender o sentido da frase.

Todos sabem que abri mão de uma vaga no Supremo. Desisti do pleito em favor de Alexandre Moraes. E me arrependi, claro!, porque o vejo, agora, aliado a extremistas de direita como Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia. “Ora candidato a ministro indicado por Temer, ora candidato do PT, com as bênçãos de Lula? Onde está a coerência, Reinaldo?”

Bem,  é difícil, hoje em dia, manter uma posição de princípio. Rosa sabe muito bem. A Weber, não a Luxemburgo. Preferi adotar o princípio da colegialidade. Consultei trotskistas de um grupo de WuatsApp ao qual pertenço: “Os Vanquartistas”. Expulsamos o Rui Pimenta por excesso de divisionismo. Até quando aprovávamos uma proposta sua, ele fazia questão de elaborar um voto em separado. Aí fica difícil crescer.

A vida tem dessas vicissitudes, não? Quando as forças de segurança da França, em 1968, foram a De Gaulle pedir que mandasse prender Jean-Paul Sartre, o presidente não teve dúvida: “A França não prende Voltaire”. E o vesgo com “cara de terreno baldio” (pour lui même em “As Palavras”) continuou a distribuir seus panfletos maoístas… Ah, bons tempos!

Assim, digo eu, não posso resistir a um pedido de De Gaulle, comandando a resistência em seu exílio em Curitiba.