03 Abril 2020
Empresas ameaçam desobediência a novo prazo de quarentena em Goiás

Empresas ameaçam desobediência a novo prazo de quarentena em Goiás

O isolamento social da população goiana deve continuar pelos próximos 15 dias. O governo do Estado publica nesta sexta-feira (3) o novo decreto com as novas regras de quarentena que devem ser seguidas pela população para evitar a proliferação do coronavírus. Mas representantes do setor empresarial acreditam que se o decreto não trouxer uma flexibilização das normas em vigor, muitas empresas podem não obedecer e abrir de forma descontrolada. Segundo eles, isso pode gerar uma desordem que pode elevar ainda mais o risco de contaminação.

Ontem, durante uma transmissão pelo Instagram, o governador Ronaldo Caiado sinalizou que o decreto será mesmo prorrogado por mais 15 dias, mas não adiantou se haverá alguma flexibilização das regras, como querem os empresários. Segundo ele, o Estado não poderá contar com uma ampliação de leitos de UTI, no caso de um avanço da doença. Isso porque os equipamentos necessários, que seriam importados da China, foram todos enviados para os Estados Unidos (leia mais na página 13).

Ele também lembrou que há uma quantidade enorme de testes de pessoas com suspeita da doença à espera do resultado, o que pode fazer a curva de contaminação crescer muito. Ronaldo Caiado disse que o novo decreto está sendo norteado pela cautela, já que a maioria dos municípios goianos não tem estrutura para suportar um atendimento em massa. Ele também conclamou as indústrias a investirem na produção de equipamentos hospitalares, utilizando todo

O governador citou as medidas que estão sendo anunciadas pelos governos para apoiar, principalmente, as pequenas empresas e os negócios informais e disse que o Estado fornecerá cestas básicas para que ninguém passe fome. “Quando voltar a ter circulação de muitas pessoas, a capacidade de proliferação de contaminados é muito grande. Há a necessidade de irmos devagar e gradualmente, até termos estrutura hospitalar para fazer frente ao aumento dos casos com comprometimento respiratório”, explicou.

Descontrole

Mas, caso as regras de isolamento não sejam flexibilizadas, há um temor de que o desespero fale mais alto e leve muitos empresários a desobedecer o decreto e abrir as portas. O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, alerta para o fato de já haver uma maior movimentação na cidade e de muitas empresas estarem oferecendo seus produtos e serviços pela internet, com agendamento de horário para atendimento. “Na minha opinião, pode haver uma reabertura descontrolada a partir de agora, se o decreto não trouxer nenhuma expectativa positiva para as empresas”, acredita.

O setor empresarial promete se posicionar sobre isso hoje, logo depois que o decreto for publicado. Mabel informou que, ontem, os empresários já discutiam as ações que deverão adotar, caso não haja a flexibilização esperada. “Oferecemos ao governador todas as ferramentas necessárias para uma abertura segura, como uma plataforma que possibilitaria o controle do Estado e o comprometimento das empresas em seguir as regras. Fora isso, não estaremos trabalhando em conjunto e poderemos perder o rumo das coisas”, advertiu. Fonte - O Popular de Goias.