31 Outubro 2018
Deputada eleita Clarissa Tércio é contra fechamento de delegacia

Deputada eleita Clarissa Tércio é contra fechamento de delegacia

Curiosamente nesta quarta-feira (31/10), dia de relembrar os 501 anos da Reforma Protestante de 1517, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, a extinção da Delegacia de Crimes contra a administração e Serviços Públicos (Decasp), por 30 votos a favor e seis contra, sem tempo para uma maior discussão.

O Projeto de Lei Ordinária nº 2066/2018, de autoria do Poder Executivo, tramitou em regime de urgência na casa. Assim como a primeira votação, realizada no dia anterior, a sessão desta quarta foi marcada por manifestações contra a aprovação da matéria. 


Representantes da polícia Civil não concordaram com o fechamento da Delegacia de Crimes contra a Corrupção. Presente no momento da votação, ainda como expectadora, a deputada eleita Clarissa Tércio (PSC) estranhou a celeridade da apreciação por parte dos parlamentares de uma matéria tão importante e aproveitou para protestar: "não ficou clara a intenção do governador Paulo Câmara (PSB) em querer fechar a (Decasp) que investiga Crimes contra a administração e serviços públicos.

E qual o motivo da necessidade de urgência nessa votação? Até onde tenho conhecimento, a (Decasp) era eficiente, vinha realizando um bom trabalho e mostrando resultados. Da forma como o projeto chegou na Alepe, sem discussão prévia e debate, confesso que se já estivesse na Casa, teria votado contra". 

Para a deputada cristã que assumirá seu 1º mandato no início de fevereiro/2019, esse tema contraria o amplo sentimento nacional de moralidade, austeridade, justiça e combate a corrupção: "essa votação teve ampla repercussão negativa na imprensa local e até na mídia nacional.

O Governador de Pernambuco deveria ouvir os representantes da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe), integrantes do Fórum Permanente de Combate à Corrupção (Focco/PE) e também discutir com os deputados. Sou filha de um coronel da reserva e sei que a segurança do Estado precisa de mais apoio, estrutura e investimentos, não fechamento de delegacias.

Tomara que essa atitude do Governo não comprometa o desbaratamento e investigação de delitos de chamado 'colarinho branco' praticados por empresários e políticos no Estado. A sociedade pernambucana vai cobrar resultados das operações que estavam em andamento, entre elas, a 'Castelo de Farinha'. Nossa missão é continuar protestando, também nos dias atuais, contra arbitrariedades, injustiças e leis equivocadas", destacou Clarissa. 


A partir de agora, MPPE tomou a iniciativa e passará a comandar as investigações, através do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A extinção da Delegacia de Crimes contra a Propriedade Imaterial (Deprim) também está prevista na Lei que segue para para redação final e sanção do governador. "Hoje é um dia simbólico. Temos a responsabilidade e o dever moral de acompanhar os desdobramentos e continuar fiscalizando", alertou Clarissa. 


POSIÇÃO - Esse é o terceiro "protesto" que a deputada eleita faz a condução do governador Paulo Câmara. Ainda durante a campanha, ela já tinha criticado livros (com temática sobre ideologia de gênero) distribuídos pela Secretaria Estadual de Educação. Foi ela também a primeira voz discordante ao incentivo cultural que seria dado pelo Estado na exibição da peça teatral "O Evangelho Segundo Jesus, rainha do Céu", incluída na programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns. Na época, o alerta feito por Clarissa viralizou nas redes sociais e contribuiu para o cancelamento da exibição.