01 Julho 2018
Artigo de Luiz Barbosa - Cada um tem o governo que merece

Artigo de Luiz Barbosa - Cada um tem o governo que merece

O texto a seguir tem o objetivo principal de provocar uma reflexão sobre a forma como permitimos aos governantes, nos diversos níveis da gestão pública, conduzirem nossas vidas com tanta irresponsabilidade e descaso, já há algumas décadas, com desequilíbrios socioeconômicos crescentes. Ao longo desses anos, apenas vemos acontecer revezamentos de poder, onde os interesseiros se alternam nos cargos, mas nada mudam, as incertezas e problemas são os mesmos, os altos impostos que desembolsamos obrigatoriamente não se traduzem em benefícios sociais, não enxergamos perspectivas de dias melhorespelo contrário, há forte sinalização do caos social, econômico, político e judiciário.

Seja você a mudança que tanto procura nos outros. As pessoas não mudam por cobranças, mudam com exemplos e pelo que vale a pena. Imponha-se. Faça valer a pena!

mudança de vida

“Cada povo tem o governo que merece” , do francês Joseph-Marie Maistre. A primeira vez que ouvi essa frase, numa fusão de aula de História Geral com de Educação Moral e Cívica, ministrada pela saudosa Professora Jaci, no Colégio Antônio Timóteo em Serra Talhada. Confesso que fiquei confuso num misto entre assustado e revoltado. Que me perdoe Dona Jaci, como carinhosamente a chamava, aquela que me protegia de brincadeiras desagradáveis na escola, que hoje denominam bullying.

Depois de muitos anos, é claro, mudei meus conceitos e agradeço à minha estimada Professora. Hoje, ainda me revolto, mas no sentido inverso, pois fica difícil acreditar que em nada evoluímos. Pior, regredimos. Temos os mesmos problemas que meus avós e meus pais tiveram e, se não reagirmos, meus filhos e netos herdarão todas essas mazelas sociais que vivenciamos todos os dias.

Em nosso país, de democracia imatura e educação capenga, o voto ainda é definido pelo poder econômico e promessas bajuladoras totalmente descabidas feitas por candidatos visivelmente desinformados das questões econômicas e sociais dos locais que pretendem governar. Por aqui se define voto também pela simpatia, crença, a boa oratória e falso assistencialismo. Raros os que votam pela análise do passado, das relações interpessoais e do plano de governo fundamentado. O País que causou admiração no vocalista do U2 pela criação da Lei da Ficha Limpa, não tem punição para o político que, acometido do esquecimento conveniente, deixa de cumprir promessas e compromissos firmados com o eleitor.

Ganha a eleição, o candidato que fala o que o povo quer e não o que precisa ouvir. Na eleição para Governo, os servidores públicos de Pernambuco tiveram reavivada a esperança de salários reajustados com base nas perdas acumuladas ao longo de governos passados. Os professores teriam um piso salarial decente, agentes penitenciários, policiais militares e as demais categorias foram às urnas na certeza de estar depositando lá a esperança nos acréscimos significativos nos contracheques, já em 2015. Eleitos, os prometedores contumazes somem, desaparecem, se esquecem… E a gente, também!

O papel das lideranças intermediárias

Nessa relação entre o político e o eleitor existe uma figura fundamental aos arranjos que formatam a interlocução ideal para convencer, pequenos ou grandes grupos eleitorais, que é o líder comunitário ou intermediário. Esse perfil que, quase invariavelmente, é um profissional de campanhas, pois torna-se um especialista em ganhar uns trocados ou garantir um espaço na eventual eleição do candidato, com esse intuito ele fará qualquer coisa para assegurar seus interesses ou de parentes na política. Portanto, deve-se tomar o máximo de cuidados com as abordagens feitas por esses “profissionais”, pois seu interesse de fato é não perder a “boquinha”e resguardar sua renda, e em nada estão preocupados com as necessidades reais de sua comunidade.

Não tenho dúvidas que existem alguns bons perfis, boas lideranças e bons candidatos, com interesses verdadeiros de fazer um bom trabalho na política; de inovar, de renovar, de fazer a diferença para que tenhamos resultados econômicos e sociais diferentes, como deveríamos ter. Do jeito que tem que ser e deve ser feito para retomarmos as esperanças. Mas, infelizmente, os eleitores viciados na manipulação, na venda de votos, no jeitinho brasileiro, invariavelmente não permitem que esses abnegados, que poderiam promover as mudanças tenham a oportunidade de “brigar” honestamente para serem eleitos, exatamente porque não compram voto, não manipulam, não mentem, não iludem, não enganam, enfim, não querem ganhar a qualquer custo. Desse modo, nunca são eleitos. Os que fazem exatamente o oposto, “se dão bem”, e o povo continua “se dando mal”.

As eleições 2018 estão bem próximas. Podemos eleger as pessoas que vão conduzir nossas vidas pelos próximos quatro ou oito anos. De que forma vamos nos comportar? Como nossos avós e pais? Queremos continuar mendigando, vendendo nosso voto da maneira mais deprimente, vil e traiçoeira. Sim, traiçoeira, porque estaremos tirando a oportunidade de nossos filhos e netos terem uma cidade, um estado e um país melhores, mais justos e com oportunidades iguais para todos que, de forma honesta, quiserem planejar seu destino e comandar sua vida com dignidade.

No editorial do domingo passado, onde tivemos um número muito significativo de feedbacks, um deles me chamou muito a atenção, por vários motivos:

“Nossas experiências recentes com salvadores da pátria foram dolorosas para toda a população. Precisamos do NOVO, pois experiência se adquire, o cargo cobra e a vida ensina”, Eclair Lucas (ou Dom Lucas). Meu grande amigo, que mora em Manaus, responsável principal pelo meu crescimento pessoal e profissional.

Concordamos plenamente, Eclair. Precisamos do NOVO, da novidade, do DIFERENTE, de quem nos devolva a esperança de que REALMENTE podemos ter uma vida digna naquele que já foi anunciado como o futuro melhor país do mundo. Que façamos esse futuro agora, enquanto ainda temos tempo. Ao mesmo tempo, precisamos de eleitores com um NOVO comportamento, que não se vendam, que não aceitem TÃO POUCO de quem nos DEVE MUITO e nada continuará a fazer para MUDAR nossa situação. MUDE AGORA!