18 Dezembro 2018
Ao MP, empresária admite compra de elogios fake na campanha do PT

Ao MP, empresária admite compra de elogios fake na campanha do PT

Do O Globo - Investigada por envolvimento no esquema petista de compra de elogios na internet, a empresária Joyce Falette admitiu ao Ministério Público Eleitoral ter recebido ordens do deputado Miguel Corrêa (PT-MG) para impulsionar ilegalmente conteúdo favorável a candidatos petistas durante a eleição deste ano. Segundo Joyce, o esquema de propaganda ilegal teria atingido 10 milhões de internautas durante a campanha.

Como O GLOBO revelou na sexta-feira, o deputado petista, pivô do esquema de compra de elogios, tornou-se alvo de uma ação do MP eleitoral por abuso de poder econômico. O esquema comandado por Corrêa prometia dinheiro a influenciadores digitais que ajudassem a propagar na internet conteúdos favoráveis a candidatos petistas e desfavoráveis a adversários do partido, conforme o GLOBO mostrou. O MP eleitoral pede na ação que o petista seja declarado inelegível pela Justiça.

Vídeo explica como funcionava campanha de petistas nas redes: 'todo mundo vai ser pago'
Em depoimento ao MP eleitoral, juntado na ação, Joyce diz ter sido coagida a beneficiar candidatos petistas durante a campanha. A empresária diz que se sentiu "usada e enganada" pelo deputado petista no caso. Ela diz que chegou a contratar 70 influenciadores digitais para atuar no esquema em prol de candidaturas petistas, mas o dinheiro prometido pelo petista jamais foi pago.

Joyce é a dona da La Joy, empresa especializada em marketing digital por meio influenciadores digitais, que foi contratada pelo deputado petista para desenvolver uma plataforma de influenciadores digitais que seriam pagos para divulgar conteúdos relacionados às pautas da esquerda. A rede, no entanto, acabou sendo utilizada ilegalmente na campanha de políticos do PT.

Joyce passou a ser ameaçada

A dona da empresa que impulsionou ilegalmente propaganda eleitoral de Lula e Gleisi Hoffmann nas redes sociais disse à Folha de S. Paulo que foi enganada pelo deputado petista Miguel Corrêa:

“Me sacanearam muito”.

Quando o esquema foi descoberto, ela passou a ser alvo de uma campanha intimidatória:

“Vazaram meu telefone, começaram a me ligar, ameaçando de morte, de estupro. Eu me isolei.”

A reportagem resumiu o caso:

“A empresária conta que a equipe de Corrêa pediu uma ação para testar o alcance dos seus influenciadores. Ela, então, intermediou a ordem para que eles divulgassem a hashtag Lulazord, a favor de Luiz Inácio Lula da Silva. A hashtag ficou entre os assuntos mais relevantes no Twitter, alcançando 10 milhões de visualizações.”