07 Agosto 2020
Aliança Pelo Brasil é uma carga muito pesada para Bolsonaro neste momento

Aliança Pelo Brasil é uma carga muito pesada para Bolsonaro neste momento

Nesta viagem que fiz a Brasília (que se repete todos os meses durante uma semana) senti de perto os grandes problemas que os apoiadores do novo partido, Aliança Pelo Brasil, tem para formatá-lo com vistas às eleições de 2022.

Além do fatídico processo de rejeição no registro de assinaturas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Aliança Pelo Brasil, na sua fase de fundação pelo presidente Jair Bolsonaro, não poderá disputar as eleições municipais de 2020. Esse já seria um grande problema, mas há ainda fatores internos que deixam muitos dos aliancistas desconfiados do êxito da formação do partido.

Na entrevista que fizemos com o presidente do PTB, Roberto Jefferson (em off), ele tocou em outro ponto bem intrigante desta questão. O número 2 do partido do presidente Bolsonaro, Luis Felipe Belmonte Santos, vice-presidente e operador do partido, registrou e é detentor da marca e do nome do Aliança e com isso se torna o verdadeiro dono da legenda e pode retira-la a qualquer momento em que for desagradado de alguma forma.

O advogado Luís Felipe Belmonte dos Santos foi, até um passado recente, filiado ao PSDB, fez doações para legendas de esquerda, como PCdoB, e atuou como advogado do empresário Luiz Estevão, que cumpre uma pena de 26 anos por fraudes na construção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.

Apesar de ter perfil que destoa do bolsonarismo clássico, Belmonte, de 66 anos, conquistou em pouco tempo um lugar no restrito circulo íntimo do clã e assumiu o papel que um dia foi do também advogado falecido Gustavo Bebianno.

No organograma do partido em formação, ele é o segundo nome, abaixo apenas do presidente e agora detém o "filé" de um partido, a marca e nome, registrados no seu nome, o que significa que Belmonte poderá fazer o que quiser com a legenda, como aconteceu com Bivar do PSL, fato que está até hoje trazendo grandes problemas aos bolsonaristas.

Uma fonte de dentro do partido, aqui na capital federal, me informou que o advogado já assinou um documento cedendo todos os diretos do partido ao presidente Bolsonaro, mas a grande questão é: onde está esse documento que ninguém viu?

A militância, por todo o Brasil tem o direito de saber e ver esse documento, o que vai sacramentar a confiança deles e não ter novamente um pesadelo de formar um partido para Bolsonaro que não é dele. Nesta sexta, 07 o Aliança promove um encontro de nível nacional, aqui em Brasília e seria uma boa oportunidade de mostrar este tal documento de cessão de direitos.